O presidente Jair Bolsonaro convidou seu antecessor, Michel Temer, para chefiar a missão humanitária brasileira de ajuda ao Líbano. Temer, que deixou o cargo como um símbolo da corrupção e que chegou a ser preso duas vezes depois do final do mandato, acabou sendo reabilitado por Bolsonaro, que se elegeu com o discurso do combate à corrupção.
Nada mais simbólico da diferença do Bolsonaro candidato para o Bolsonaro presidente do que esse convite a Temer. Bolsonaro se elegeu na onda do lava-jatismo, fez de Sérgio Moro seu ministro da Justiça e agora trabalha diariamente para enterrar a Lava Jato. O candidato que na campanha tinha um discurso liberal e privatista não levou adiante nenhuma concessão ou privatização e não tem nenhum zelo com as contas públicas.
Aquele candidato que abominava a política e os políticos, uma vez no poder loteou o governo ao centrão e adotou Michel Temer como conselheiro político, ao lado de outros nomes contestáveis, como Valdemar da Costa Neto e Roberto Jefferson.
Na verdade, o Bolsonaro presidente reflete o político que por mais de 30 anos circulou pelo Congresso defendendo pautas corporativas. Esse é o real Bolsonaro, o fake era o da campanha.
Agora, com a máquina do governo e o auxílio emergencial nas mãos, Bolsonaro avança sobre o eleitorado mais humilde, que sempre esteve ao lado de Lula e do PT, para tentar garantir sua reeleição. É um retrato da falta de coerência da política brasileira.
POLÍTICA
Pandemia
- O país registrou 593 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 101.136. Com isso, a média móvel de novas mortes nos últimos 7 dias foi de 1.001, uma variação de -6% em relação aos dados registrados em 14 dias.
- Em casos confirmados, já são 3.035.582 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 22.213 desses confirmados no último dia.
Governo Bolsonaro
- Folha mostra que, em busca de reeleição, Bolsonaro lançará pacote social e avalia chapa eleitoral. Presidente antecipou estratégia para tentar diminuir rejeição causada por pandemia.
- O Globo, em editorial, comentou a estratégia de Jair Bolsonaro para se reeleger, avançando com o coronavoucher sobre os redutos de Lula no Nordeste: “Bolsonaro continua minimizando a tragédia da pandemia, mas percebeu o potencial do auxílio emergencial de R$ 600 mensais para 66 milhões de pessoas, 15% além dos votos que obteve em 2018. Esse eleitorado, principalmente a parcela nordestina, foi cultivado pela propaganda do lulismo durante 13 anos” - https://oglobo.globo.com/opiniao/o-avanco-estrategico-de-bolsonaro-sobre-os-redutos-do-lulismo-1-24574466
Diplomacia
- O presidente Jair Bolsonaro convidou e o ex-presidente Michel Temer aceitou liderar uma missão brasileira de ajuda ao Líbano. “Nos próximos dias partirá do Brasil rumo ao Líbano uma aeronave da FAB com medicamentos e insumos básicos de saúde, reunidos pela comunidade libanesa radicada no Brasil. Também estamos preparando o envio, por via marítima, de 4.000 toneladas de arroz para atenuar as consequências das perdas de estoque de cereais destruídos na explosão”, afirmou o presidente.
- Mas, para viajar, Temer precisará de autorização da Justiça. Preso duas vezes, em 2019, está em liberdade condicional, não podendo deixar o país sem permissão judicial.
Investigações
- Em entrevista ao Estadão, Deltan Dallagnol afirma que ‘PGR deve atuar de modo independente de governos e governantes’. Coordenador da força-tarefa de Curitiba diz que condutas de Augusto Aras indicam ‘visão equivocada’ do Ministério Público, nega que a operação guarde 'segredos' e que é 'ilegal' o acesso irrestrito a dados dos processos, como quer o procurador-geral da República - https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/pgr-deve-atuar-de-modo-independente-de-governos-e-governantes-diz-deltan-da-lava-jato/
ECONOMIA
Contas públicas
- Estadão mostra que salário de servidor consome 3,5 vezes o gasto com saúde. Em 2019, País desembolsou R$ 928 bilhões para pagar sevidores públicos federais, estaduais e municipais, o que equivale a 13,7% do PIB.
- Segundo o Estadão, apenas em 2020 a pandemia vai custar R$ 700 bilhões aos cofres públicos. O valor equivale a quase 10% do PIB e representa quase seis vezes o déficit previsto para este ano antes da pandemia, de R$ 124,1 bilhões. A dívida pública bruta deverá subir neste ano, de 75,8% no fim de 2019 para 98,2% do PIB.
Reformas
- Proposta de reforma tributária do governo corta R$ 70 bilhões em benefícios fiscais e pode elevar carga tributária, segundo a Folha. Considerados ineficazes e concentradores, incentivos deram salto na gestão PT e chegam a R$ 320 bi.
Sistema bancário
- Em entrevista ao Estadão, Rodrigo Maia sinalizou que deve engavetar o projeto que limita em 30% ao ano os juros cobrados no cheque especial e no cartão de crédito, que foi aprovado pelo Senado na semana passada.
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.
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