Na educação, o desgoverno chegou ao ápice com a demissão de Carlos Alberto Decotelli apenas cinco dias após sua nomeação —e até mesmo antes de sua cerimônia de posse. Depois de dois ministros que se importaram apenas com a batalha ideológica, Bolsonaro escolheu um nome supostamente técnico, mas que se revelou um mitômano. E os alunos seguem sem perspectiva de voltarem à escola.
Na economia, o Brasil registrou pela primeira vez na história um número de desempregados maior do que o de empregados —são 87,7 milhões de trabalhadores sem emprego e 85,9 milhões trabalhando. E o número tende a crescer nos próximos meses. A plataforma liberal e as reformas estruturais da campanha foram trocadas pelo populismo de medidas emergenciais, que são necessárias, mas têm efeito limitado ao curtíssimo prazo.
Quem terá que pagar a conta dessa inépcia do governo é o brasileiro, empobrecido, enfrentando um vírus e um apagão educacional, isolado do mundo e com uma herança pesada a ser paga pela próximas gerações.
POLÍTICA
Pandemia
- O Brasil registrou 1.271 mortes causadas pela covid-19 no intervalo de 24 horas. O número eleva o total de óbitos em decorrência da nova doença no país a 59.656, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa.
- Os dados dos Estados apontam ainda a confirmação de 37.997 diagnósticos nas últimas 24 horas, o que eleva o total para 1,41 milhão de casos.
- União Europeia reabre fronteiras, mas veta entrada de visitantes de Estados Unidos, Brasil e Rússia.
Governo Bolsonaro
- Suspeita de fraude em currículo derruba o economista Carlos Alberto Decotelli cinco dias após sua nomeação para o Ministério da Educação —e antes de sua posse formal.
- Anderson Correa, reitor do ITA e evangélico, está bem cotado para assumir o ministério.
Crise política
- STF deve derrotar Flávio Bolsonaro e mandar a investigação sobre rachadinha de volta à primeira instância.
- TSE impõe derrota a Bolsonaro e reabre coleta de provas em ações que miram campanha.
- "Não quero e não tenho o que delatar", diz Queiroz a advogado, segundo Mônica Bergamo.
- Reprovação de Bolsonaro na crise é alta mesmo entre os que recebem auxílio, aponta o Datafolha. 49% dos que já obtiveram benefício consideram ruim ou péssimo papel do presidente na pandemia - https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/06/reprovacao-de-bolsonaro-na-crise-e-alta-mesmo-entre-os-que-recebem-auxilio.shtml
Congresso
- Senado aprova projeto das fake news. Governo e grandes plataformas de internet se posicionaram contra o projeto que barra contas falsas e obriga armazenamento de dados.
- Câmara vota hoje proposta de adiamento das eleições municipais para novembro.
Lava Jato e afins
- Governador do Amazonas é alvo de operação da PF. Ação que apura fraude na compra de respiradores faz busca e apreensão em endereços de Wilson Lima (PSC) e prende secretária da Saúde.
- Operação mira suspeitas de fraude em licitações na Cedae. TCE estima que, desde 2018, o esquema deu um prejuízo de R$ 63 milhões aos cofres públicos.
- Augusto Aras perde maioria em conselho do MPF.
ECONOMIA
Atividade
- Na pandemia, número de desempregados passa o de empregados. Segundo o IBGE, Brasil tem 88,7 milhões de trabalhadores sem emprego e 85,9 milhões trabalhando.
- Foram 7,8 milhões de empregos perdidos em apenas três meses, sendo a maioria informal. É o menor nível de ocupação desde 2012, quando o levantamento passou a ser feito pelo IBGE.
- A taxa de desemprego, que mede a ocupação daqueles que buscam trabalho, subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio, ante 11,6% nos três meses anteriores. O número de desalentados, aqueles que desistiram de procurar um emprego, saltou 15,3% no trimestre, e agora está em 5,4 milhões, mais um recorde na série. E as pessoas que não estavam trabalhando nem procurando cresceram em nove milhões de um trimestre para o outro, chegando a 75 milhões.
- O Globo, em editorial, avalia que "os números frios do aumento do desemprego de 12,6% para 12,9% não refletem o tamanho do desastre" - https://oglobo.globo.com/opiniao/apenas-ponta-da-tragedia-do-desemprego-24508560
Contas públicas
- Governo prorroga auxílio emergencial por mais dois meses, mas o pagamento deve ser dividido em quatro parcelas.
- Valor mostra que auxílio atenua a recessão no Nordeste e deve dar mais gás à retomada.
- Estadão mostra que penduricalho a militares custa R$ 26 bi em 5 anos. Aumento de até 73% na bonificação salarial concedida a integrantes das Forças Armadas pelo 'adicional de habilitação' terá impacto de R$ 1,3 bilhão só em 2020.
- Dívida pública bate recorde e vai a 81,9% do PIB.
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