análise do noticiário- 02 de setembro de 2020
9/2/2020

Há seis meses, quando a pandemia do coronavírus começou a fazer suas primeiras vítimas no Brasil, houve uma grande discussão sobre se o governo deveria priorizar a saúde ou a economia. O dilema seguiu indefinidamente, com o presidente Jair Bolsonaro minimizando a gravidade da doença —da qual ele mesmo foi vítima— e acusando governadores e prefeitos de atentarem contra a economia ao tomarem medidas mais duras de isolamento social.
A resposta, comprovada pelo dados econômicos e sanitários, mostram que o Brasil fracassou nas duas pontas. Ontem, havia 122.681 mortos e 3.952.790 contaminados. E os dados do IBGE apontaram uma queda recorde no PIB de 9,7% no segundo trimestre na comparação com o primeiro. Em relação ao mesmo período de 2019, caiu 11,4%. Ambas as taxas foram as maiores quedas da série, iniciada em 1996.
Assim, o Brasil entrou oficialmente em recessão, chegando ao mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise econômica mundial. A queda da economia será a pior em 120 anos, superando até a época da gripe espanhola. Mas, para Paulo Guedes, o resultado do PIB é apenas “impacto de um raio que caiu em abril”.
Óbvio que a crise é global, mas o Brasil poderia ter se saído melhor com um pouco de união, planejamento e racionalidade. Na dúvida do governo entre priorizar a saúde ou a economia, o brasileiro ficou doente e mais pobre.
POLÍTICA
Pandemia
- O país registrou 1.166 mortes pela covid-19 em 24 horas, chegando a 122.681 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes nos últimos 7 dias foi de 859 óbitos, uma variação de - 13% em relação aos registrados em 14 dias.
- Secretaria de Comunicação da Presidência reproduz nas redes sociais frase de Bolsonaro segundo a que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”.
- Apesar da publicação, lei autoriza aplicação compulsória de vacina. E o Estatuto da Criança e do Adolescente também determina ser 'obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias'.
- Em sua coluna no Estadão, Vera Magalhães avalia que “discurso relativizando a necessidade da vacina é exótico até para o padrão bolsonarista” - https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-antivax,70003422139
Investigações
- Em Curitiba, o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, anunciou que deixará o cargo. A Lava Jato denunciou 543 pessoas sob o comando de Dallagnol.
- Em entrevista ao Estadão, o novo chefe da Lava Jato no Paraná, Alessandro Oliveira, fala em “continuidade” da operação: “Em time que está ganhando não se mexe” - https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/em-time-que-esta-ganhando-nao-se-mexe-diz-novo-chefe-da-lava-jato-de-curitiba/
- A Câmara Municipal do Rio votará amanhã abertura de processo de impeachment contra Marcelo Crivella. O pedido foi protocolado pelo PSOL após a denúncia de que o prefeito destacou servidores públicos para impedir a atuação da imprensa em hospitais municipais.
- STJ deve confirmar hoje afastamento de Wilson Witzel.
- Quebra de sigilo mostra que ex-assessor de Carlos Bolsonaro retirou em espécie todo o salário, segundo O Globo. Extratos mostram saques de R$ 90 mil. Funcionário atuou para vereador e no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.
Congresso
- Projeto de lei aprovado na Câmara dobra pena de corrupção na pandemia.
ECONOMIA
Atividade
- PIB tem queda recorde de 9,7% no segundo trimestre na comparação com o primeiro, segundo o IBGE. Em relação ao mesmo período de 2019, caiu 11,4%. Ambas as taxas foram as maiores quedas da série, iniciada em 1996. A indústria foi a mais afetada, com o recuo recorde de 12,3%. Mas foi o setor de serviços que puxou a economia para baixo: teve contração de 9,7% no período, resultado também inédito.
- Com isso, o Brasil entrou oficialmente em recessão. Agora, a economia está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global.
- O consumo das famílias, que representa 65% do PIB, recuou um recorde de 12,5%. A queda só não foi maior por causa do auxílio emergencial. Os investimentos caíram 15,4%.
- Levantamento da FGV publicado pelo Valor aponta que a queda será a maior em 120 anos, superando até a época da gripe espanhola.
- Para Paulo Guedes, o resultado do PIB é “impacto de um raio que caiu em abril”.
- Para Vinicius Torres Freire, na Folha, “desastre da economia mostra erros de Guedes” - https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/09/desastre-do-pib-mostra-erros-de-guedes.shtml
Contas públicas
- Auxílio emergencial terá mais quatro parcelas de R$ 300. Anúncio da prorrogação foi feito por Bolsonaro após encontro com parlamentares. Custo extra chega a R$ 90 bilhões.
Reformas
- Estadão mostra que reforma administrativa que será enviada hoje por Bolsonaro ao Congresso poupa atuais servidores.
- Câmara aprova lei que abre o mercado de gás.
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.
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