ANÁLISE DO NOTICIáRIO-05/06/2020
No final da década de 1990, a cidade de São Paulo vivia uma epidemia de violência. Os assassinatos eram contados às centenas todos os meses, principalmente na periferia, mas alguns também nos bairros mais prósperos. Apenas em um final de semana em setembro de 1998, ocorreram 68 mortes, parte delas em cinco chacinas. Era um cenário assustador, de medo, mas a vida seguia. As pessoas davam seu jeito de trabalhar, estudar e viver, entre mortos e feridos.
Agora, em 2020, vivemos uma situação semelhante. Quem ceifa vidas, porém, não é a violência, mas o coronavírus. Ontem, mais uma vez o país bateu o recorde de mortes, com 1.473. Cem dias depois de ter registrado o primeiro contaminado, o país chegou à marca de 34.021 mortos e superou a Itália, se tornando o terceiro do mundo com mais mortes.
O medo está presente, mas a vida segue. O isolamento social é a única maneira de encarar o vírus, mas estados e municípios começam a relaxá-la e a autorizar a reabertura de comércio, serviços e até de escolas. Boa parte deles parece de ter cansado de enfrentar a retórica do presidente Jair Bolsonaro, que a cada dia trata de minimizar o poder do vírus.
A epidemia de violência só foi superada com inteligência, tecnologia, investimento nas polícias e união da sociedade. Uma receita não muito diferente da que precisa ser feita para enfrentar a epidemia do coronavírus. Mas, infelizmente, não há nada de semelhante no horizonte.
Epidemia
- Cem dias depois do primeiro caso de coronavírus, o Brasil chegou à marca de 34.021 mortos e superou a Itália, se tornando o terceiro país com mais óbitos.
- Somente ontem, foram 1.473 mortes. Os dados apontam, pelo terceiro dia consecutivo, o maior número contabilizado no período. O índice supera a alta de quarta-feira, quando foram registrados 1.349 óbitos. Agora, o país está atrás apenas do Reino Unido (39.987) e dos EUA (107.474).
- O governo passou a divulgar os dados oficiais sobre a epidemia apenas após às 22h para evitar que sejam noticiados nos principais telejornais da TV.
- Cidade de São Paulo libera abertura de concessionárias e escritórios em horário reduzido.
Crise política
- Partidos de oposição ao governo, como PSB, PDT, PT, Cidadania e PSDB, publicaram nota pedindo que as pessoas não compareçam às manifestações de domingo. “Adiaremos à ida às ruas, pelo bem da população, até que possamos, sem riscos, ocupa-las, em prol da população.”
- Segundo a Folha, a tentativa de sair das ruas não é apenas por conta do isolamento social. Os políticos temem que ocorram confrontos com a PM que possam ser usados politicamente pelo governo federal.
- Em sua live de quinta, Bolsonaro também pediu a seus apoiadores que não vão às ruas este fim de semana. Ele prevê que os protestos pró-democracia terminarão em violência. “Não é liberdade de expressão, é quebra-quebra”, afirmou.
- Bolsonaro também disse que a AGU vai emitir um parecer favorável ao retorno das pessoas às praias, cujo acesso está fechado por causa da pandemia. Segundo ele, quem for pego desobedecendo decretos estaduais e municipais por frequentar as praias poderá utilizar este documento para se defender.
- Em depoimento à PF, Abraham Weintraub nega racismo em postagem sobre chineses e alega “liberdade de expressão”.
Governo
- Gestão Bolsonaro passa R$ 84 milhões do Bolsa Família para gastos com publicidade.
- TCU vê indício de fraude em contratos de R$ 500 milhões entre o governo federal e empresas de tecnologia da informação.
Congresso
- Rodrigo Maia voltou a defender o projeto de lei de combate às fake news e disse que parlamentares vão trabalhar entre hoje e amanhã para construir um texto de consenso a ser apresentado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
ECONOMIA
Contas públicas
- Brasil deve estender auxílio emergencial de R$ 600 por mais dois meses.
Atividade
- Na pandemia, Brasil registra a abertura de mais de uma loja virtual por minuto, informa o Estadão.
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.