O agravamento do cenário fiscal, com possibilidade real do teto de gastos ser furado, impõe cada vez mais dificuldades para o governo financiar seu déficit. E isso num contexto em que grande parte das projeções aponta para a dívida bruta extrapolar os 100% do PIB.
A criatividade fiscal que parecia ter ficado para trás dá sinais contundentes de que está de volta. Sob desculpa de que a pandemia colocou a casa em desordem, mentes do governo passam o dia pensando em maneiras de elevar gastos e flexibilizar o teto. O curioso é que o argumento é sempre o mesmo: gastar mais para acelerar o crescimento, arrecadar mais e fortalecer os fundamentos para enfrentar a crise. Mas todas as vezes que essa lógica foi implementada foi um fiasco. Aprender com os erros e com a história não parece ser o forte de parte dos poderosos da política e da economia.
O temor é que a flexibilização do teto para acomodar entre R$ 20 bilhões e R$ 35 bilhões em novas despesas joguem no buraco todo o esforço para sepultar a criatividade fiscal construído desde o impeachment de Dilma Rousseff.
Os efeitos já são sentidos nos ativos brasileiros e no gerenciamento da dívida. O Tesouro optou por se financiar com títulos de curto prazo para evitar as taxas mais altas. O problema é o reflexo de aumento de juros generalizado que pode tornar mais difícil rolar a dívida e a saída ser uma malfadada impressão de dinheiro. Não tem como dar certo.
POLÍTICA
Pandemia
- O país registrou 398 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 146.773 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de novas mortes no país nos últimos 7 dias foi de 659 óbitos, uma variação de -7% em relação aos dados registrados em 14 dias. É o 13º dia seguido com essa média abaixo da casa dos 700.
Governo Bolsonaro
- Para blindar gestão, Bolsonaro contraria eleitores e abandona postura de embate, escreve a Folha.
- Escanteado por Bolsonaro, pastor Silas Malafaia chama governo de ‘vergonhoso’.
- Mônica Bergamo: Moro é pressionado pela família a sair do Brasil e ficar longe da política.
- Em editorial com o título "Amigos do peito", Estadão escreve que "presidente age como se não fosse ocupante temporário do cargo" - https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,amigos-do-peito,70003464634
Eleições 2020
- Empresas burlam regras eleitorais e mantêm disparos em massa no WhatsApp, revela a Folha. Indústria de mensagens eleitorais por WhatsApp segue operando um ano após TSE vetar prática.
- WhatsApp acusa alvo de CPI de driblar decisão judicial.
- Horário eleitoral vai custar R$ 538 milhões em renúncia fiscal para rádios e TVs, informa a Folha.
- Ibope revela dificuldade de bolsonaristas e petistas chegarem ao segundo turno. Partidos do Centrão têm melhor desempenho na primeira rodada de pesquisas.
- PSOL contradiz discurso pró-minorias ao distribuir verba do fundo eleitoral, apontam candidatos.
Violência
- 47% das mulheres relatam ter sofrido assédio sexual no trabalho, mostra estudo. Estudo de LinkedIn e Think Eva revela que a sensação de insegurança é maior entre as mulheres negras e entre aquelas com renda de até dois salários mínimos.
Ambiente
- Queimadas em Mato Grosso põem em risco espécies de primatas já ameaçadas.
Ciência
- Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez sao os laureados pelo Nobel de Física de 2020. Nobel de Física vai para pesquisadores de buraco negro e segredos da Via Láctea. Láurea será dividida entre cientista que analisou buracos negros e dupla que investigou um objeto supermaciço no centro do universo.
ECONOMIA
Conta públicas
- Eliane Cantanhêde: Na guerra do ‘desequilibrado’ com o ‘despreparado’, Bolsonaro esquece Guedes. Desautorizado por Bolsonaro, Guedes é teimoso e duro na queda - https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-ultimo-a-saber,70003464655
- Após jantar, Maia e Guedes pedem desculpas por atrito e defendem reformas.
- Relatórios de bancos já veem maior risco de agravamento da crise fiscal. Para instituições financeiras, a criação de novos gastos sem revisão de despesas pode tornar ainda mais difícil a tarefa do governo de financiar seu déficit; projeções apontam dívida bruta superior a 100% do PIB.
- Presidente do BC alerta para os riscos fiscais de burlar o teto de gastos.
- Se governo furar teto de gastos, ele terá de explicar, diz FHC.
- Fim do auxílio emergencial deve deixar 38 milhões sem assistência, diz FGV.
Meio de pagamento
- Pix tem mais sucesso em lançamento que Facebook, Instagram ou Whatsapp. Sistema pode ajudar a mudar completamente, e para melhor, a infraestrutura digital do país.
- Nubank está ansioso com chegada do Pix e vê "desculpinha" em grandes bancos.
Escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.
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