O governo de Jair Bolsonaro passa por um momento político delicado, com várias ações judiciais a ameaçá-lo, além do óbvio desgaste pela criticada condução da pandemia do coronavírus e de suas consequências na economia.
Há uma serie de ameaças ao governo: um imprevisível inquérito sobre fake news no Supremo Tribunal Federal, uma ação que investiga se houve interferência na Polícia Federal na mesma corte e ações que pedem a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão no Tribunal Superior Eleitoral. Sem falar em uma série de pedidos de impeachment até agora engavetados no Congresso.
Além disso, houve uma importante decisão de Alexandre de Moraes, do STF, que ordenou que o governo voltasse a publicar os dados detalhados de mortes e infectados pelo coronavírus.
Com essa situação política adversa, o governo parece mais cauteloso, como no recuo da medida que transferia recursos do Bolsa Família para publicidade e na mudança de tom na reunião ministerial aberta de ontem. O problema é que o perfil do presidente é de confronto permanente, o que torna improvável qualquer trégua mais duradoura.
Fora os problemas políticos, o último final de semana mostrou que Bolsonaro perdeu o monopólio das ruas. E a reação às pedaladas com os dados da pandemia deixaram claros os limites da caneta presidencial. É uma situação preocupante para um governo que não chegou nem à metade.

Epidemia
- País registra 1.185 mortes e 31.197 infectados em 24 horas, segundo consórcio de veículos de imprensa. Já os dados do governo mostram 1.272 mortes.
- Após determinação do STF, Ministério da Saúde volta a detalhar dados da pandemia.
- Após 82 dias, comércio de rua reabre em São Paulo com horário restrito.
Crise política
- Marcelo de Moraes, no BRPolítico, escreve que, com o momento político delicado, o governo decidiu ser mais cauteloso nos seus atos. O problema, diz ele, é que, "mesmo puxando o freio de mão, o perfil do presidente e de seus aliados é o de alimentar polêmicas". Difícil apostar que isso vai se manter.
- Há uma série de ameaças a Bolsonaro no ar: um complicado inquérito sobre fake news no STF, um processo que investiga se houve interferência na PF na mesma corte, e mais ações que pedem a cassação da chapa de Bolsonaro no TSE.
- Alexandre de Moraes pediu vistas e o TSE adiou o julgamento de duas ações que podem levar à cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.
- O Ministério Público Eleitoral recomendou ao TSE que in crua informações do inquérito de fake news que corre no Supremo em suas análises.
- O medo de ser julgado e condenado por ilegalidades pelo TCU fez com que o governo recuasse da medida que transferia mais de R$ 89 milhões de recursos destinados ao Bolsa Família para serem usados em publicidade pela Secom.
- Vera Magalhães, no Estadão, avalia que, “somando a gravidade da pedalada com as vidas e o fato de que as ruas começaram a encher, Bolsonaro viu a cara do impeachment, e, pela primeira vez, ela estava viva” - https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bafo-do-impeachment,70003330053
- Após aceno de Witzel a Bolsonaro para 'retomar diálogo', aliados do presidente afirmam que reaproximação é ‘impossível’, escreve O Globo.

- A PF mira fraude na compra de R$ 50 mi em respiradores e faz buscas no Palácio e na casa de Hélder Barbalho (MDB), governador do Pará.
Partidos
- PT e PSL terão quase R$ 400 mi de fundo eleitoral. Partido Novo é o único a abrir mão da verba pública para a eleição.
- Partidos do centrão e o Ministério Público são contra adiar as eleições municipais de outubro.

Contas públicas
- Paulo Guedes confirmou ontem que vai estender o auxílio emergencial por mais dois meses. O valor deve ser de duas parcelas de R$ 300, em vez dos R$ 600 pagos atualmente.
- Paulo Guedes também confirmou que pretende criar um programa social unificando todos os atuais existentes, inclusive o Bolsa Família. Vai se chamar Renda Brasil.
- Rodrigo Maia sugere cortar salários no Três Poderes para financiar prorrogação de auxílio emergencial de R$ 600.
Números da crise
- 25 mil pessoas solicitam seguro-desemprego por dia na pandemia. Foram mais de 1 milhão de pedidos em maio.
- Emprego na indústria cai em abril e atinge menor nível desde 2004.
0 Comments
Leave a Reply.