ANÁLISE DO NOTICIÁRIO-15/05/2020
5/15/2020 | 0 Comments
O presidente Jair Bolsonaro deu uma série de demonstrações ontem de que não está sabendo lidar efetivamente com as crises desencadeadas pela pandemia do coronavírus no Brasil. Em movimentos desnorteados e contraditórios, mostrou que sua prioridade é a economia, mas não deu pistas de ter um plano para essa retomada.
Bolsonaro, depois de acenar para um diálogo com governadores, declarou uma guerra a eles (principalmente a João Doria) em reunião virtual com empresários. No mesmo dia, atacou Rodrigo Maia para em seguida dizer que “voltou a namorar”com o presidente da Câmara.
Após esquecer por alguns dias a cloroquina e seus supostos efeitos milagrosos, voltou a defender o uso ilimitado do remédio, o que pode levar a perder o segundo ministro da Saúde no meio da maior crise sanitária da história. Por fim, Bolsonaro editou uma medida provisória que flexibiliza o combate a desvios de servidores e durante a pandemia, contrariando seu discurso de que é preciso ficar atento aos casos de corrupção.
É difícil entender o presidente. O que fica de tantas informações desencontradas é que ele aposta tudo na reabertura da economia, na lógica de que “a fome pode matar muito mais do que a doença”. Pode até ser um dado da realidade, mas enquanto durar a epidemia nada voltará ao normal. É um fato que não pode ser ignorado nem relativizado.
Bolsonaro, depois de acenar para um diálogo com governadores, declarou uma guerra a eles (principalmente a João Doria) em reunião virtual com empresários. No mesmo dia, atacou Rodrigo Maia para em seguida dizer que “voltou a namorar”com o presidente da Câmara.
Após esquecer por alguns dias a cloroquina e seus supostos efeitos milagrosos, voltou a defender o uso ilimitado do remédio, o que pode levar a perder o segundo ministro da Saúde no meio da maior crise sanitária da história. Por fim, Bolsonaro editou uma medida provisória que flexibiliza o combate a desvios de servidores e durante a pandemia, contrariando seu discurso de que é preciso ficar atento aos casos de corrupção.
É difícil entender o presidente. O que fica de tantas informações desencontradas é que ele aposta tudo na reabertura da economia, na lógica de que “a fome pode matar muito mais do que a doença”. Pode até ser um dado da realidade, mas enquanto durar a epidemia nada voltará ao normal. É um fato que não pode ser ignorado nem relativizado.
POLÍTICA
Epidemia
Governo
Epidemia
- Nas últimas 24 horas, foram contabilizados 844 novas mortes e 13.944 novos casos. Com isso, o Brasil já tem 13.993 mortes e 202.918 casos.
- Monitor do Estadão aponta que média de isolamento social no Brasil é de 43,4%; ideal seria de 70%.
- Bolsonaro enquadra o ministro Nelson Teich e diz que Saúde mudará protocolo para permitir o uso da cloroquina em parentes na fase inicial do coronavírus. Em Brasília, há a expectativa de que Teich peça demissão por não concordar com a nova orientação.
Governo
- Bolsonaro pede a industriais “jogo pesado”contra governadores pela reabertura da economia. O chamado foi principalmente contra João Doria: "Um homem está decidindo o futuro de São Paulo. Está decidindo o futuro da economia do Brasil. Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado, jogar pesado, porque a questão é séria. É guerra".
- Doria respondeu: “Lamento que o presidente da República, ao invés de defender vidas de brasileiros, esteja mais interessado em atender a um pequeno grupo de empresários vinculados à Fiesp”.
- Veja escreve sobre “a nova tropa do capitão”: “Bolsonaro compensa a perda de eleitores na classe média com o aumento da popularidade entre a população de baixa renda e menos escolarizada”.
- Medida provisória editada por Bolsonaro livra agentes públicos de punição por erros em pandemia.
- Reinaldo Azevedo, na Folha, qualifica a MP como o “AI-5 de Bolsonaro e Guedes” - https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2020/05/bolsonaro-e-guedes-querem-excludente-de-ilicitude-e-ai-5-da-pandemia.shtml
- “Maia parece querer afundar a economia para ferrar o governo”, afirma Bolsonaro, que, hora mais tarde, diz ter “voltado a namorar” o presidente da Câmara.
Crise política
Corrupção
Congresso
- A AGU entregou ao Supremo uma transcrição dos trechos que considera que podem ser divulgados da reunião que resultou na demissão de Sérgio Moro.
- Em um trecho, Bolsonaro se queixa de que PF, Forças Armadas e Abin não oferecem a ele informações de inteligência o suficiente: “Vou interferir. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade”, reclama. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio e não consegui. Isso acabou. Não vou esperar foderem minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira.”
Corrupção
- Lava Jato no Rio mira desvios em contratos emergenciais na saúde. PF prende ex-deputado e empresário; esquema teria se beneficiado da situação de calamidade, que dispensa licitação.
Congresso
- Câmara aprova projeto que proíbe despejo na crise.
ECONOMIA
Atividade
Contas públicas
Comércio exterior
Empresas
Atividade
- Governo estima que Brasil perderá neste ano 3 milhões de vagas de emprego com carteira assinada.
Contas públicas
- Bolsonaro agora diz que vai negociar reajuste de servidores e pode contrariar Guedes.
- Governo aceita flexibilizar manutenção do emprego para financiar folha salarial.
Comércio exterior
- Diplomata brasileiro Roberto Azevêdo antecipa em um ano saída da presidência da Organização Mundial do Comércio.
Empresas
- Petrobras tem prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre.
- Variação cambial leva JBS a prejuízo de R$ 5,9 bilhões.
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.