ANÁLISE DO NOTICIáRIO-20/05/2020
5/20/2020
O Brasil registrou ontem pela primeira vez mais de mil mortes em um único dia pelo coronavírus. Um triste recorde do país que não tem ministro da Saúde e já registra um em cada sete novos casos da epidemia no mundo.
Enquanto não escolhe um ministro nem define uma estratégia clara de combate ao vírus e às consequências econômicas, Jair Bolsonaro aposta no uso de um remédio não indicado pela comunidade científica e faz ironias: “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.
A politização do coronavírus e de seu tratamento não vem sendo eficiente. Pelo contrário. A epidemia faz mais estragos no país por causa de suas peculiaridades demográficas e de bolsões de pobreza. Oito dos dez estados mais afetados têm as maiores proporções de moradias irregulares ou em condições precárias, como favelas e palafitas, casos de Amazonas, Pará e Rio.
Nesses locais, a doença afeta pacientes mais jovens, o que também é uma peculiaridade brasileira em relação ao mundo.
A concentração de hospitais em áreas centrais, a falta de respiradores e a dificuldade de contratação de profissionais de saúde podem fazer rapidamente com que os médicos começam a escolher quem salvar nas UTIs.
A situação é alarmante. Os tristes recordes não devem parar de ser batidos tão cedo, com o Brasil caminhando para se tornar o país mais afetado pela epidemia.
Enquanto não escolhe um ministro nem define uma estratégia clara de combate ao vírus e às consequências econômicas, Jair Bolsonaro aposta no uso de um remédio não indicado pela comunidade científica e faz ironias: “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.
A politização do coronavírus e de seu tratamento não vem sendo eficiente. Pelo contrário. A epidemia faz mais estragos no país por causa de suas peculiaridades demográficas e de bolsões de pobreza. Oito dos dez estados mais afetados têm as maiores proporções de moradias irregulares ou em condições precárias, como favelas e palafitas, casos de Amazonas, Pará e Rio.
Nesses locais, a doença afeta pacientes mais jovens, o que também é uma peculiaridade brasileira em relação ao mundo.
A concentração de hospitais em áreas centrais, a falta de respiradores e a dificuldade de contratação de profissionais de saúde podem fazer rapidamente com que os médicos começam a escolher quem salvar nas UTIs.
A situação é alarmante. Os tristes recordes não devem parar de ser batidos tão cedo, com o Brasil caminhando para se tornar o país mais afetado pela epidemia.
POLÍTICA
Epidemia
Epidemia
- O Brasil voltou a bater recordes de mortes em dia pelo coronavírus, com 1.179 nas últimas 24 horas. Também foram registrados 17.408 novos casos, segundo o Ministério da Saúde. O Brasil soma 17.971mortes por Covid-19 e 271.628 casos confirmados.
- O Globo escreve que algumas características do Brasil contribuem para a disseminação. São 5,1 milhões de domicílios em áreas adensadas, como favelas, que são prejudiciais para o isolamento social.
- O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, assina hoje um novo protocolo recomendando a médicos que utilizem cloroquina e hidroxicloroquina desde o início do tratamento de Covid-19. Seus dois antecessores deixaram o cargo por se recusarem a fazê-lo.
- Ontem, as principais entidades médicas brasileiras publicaram um documento com suas diretrizes para o coronavírus e sugeriram não utilizar hidroxicloroquina ou cloroquina "de rotina no tratamento”.
- “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de direita toma tubaína”, repetiu várias vezes Bolsonaro ontem.
- Estadão, em editorial, avalia que a indicação por Bolsonaro do uso generalizado de cloroquina pode representar crime de responsabilidade - https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,a-cloroquina-e-o-crime-de-responsabilidade,70003308176
- A partir de hoje, a cidade de São Paulo entra em um megaferiado que se estenderá por cinco dias, até domingo. É uma tentativa de conter a disseminação do vírus.
- Vera Magalhães, no Estadão, avalia que esse rodízio é mais uma “medida improvisada para achatar a curva” em São Paulo - https://brpolitico.com.br/noticias/da-vera-ciencia-e-dados-ou-tentativa-e-erro/
Crise política
- O número dois da PF, Carlos Henrique Sousa, procurou os investigadores que apuram as denúncias de Sérgio Moro contra Jair Bolsonaro e prestou o segundo depoimento, ontem.
- Souza afirmou que foi procurado em 27 de abril por Alexandre Ramagem, que perguntou se ele se aceitaria ser diretor-executivo da PF. Na semana passada, ele havia afirmado que não tinha sido procurado por ninguém. Agora, mudou de discurso, comprometendo Bolsonaro e reforçando Moro.
- A PF também já está investigando que delegado pode ter vazado, para a família Bolsonaro, detalhes do inquérito que tinha entre os alvos o senador Flávio Bolsonaro e seu principal assessor, Fabrício Queiroz.
- O centro do inquérito é o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, onde o presidente teria ameaçado Moro de demissão caso não permitisse a troca de comando da PF do Rio. O relator do caso, Celso de Mello, já o assistiu. Segundo o Estadão, ele “ficou incrédulo” e decide até sexta se tornará público.
- Ameaçado politicamente, Bolsonaro acelera as negociações com o centrão. Nos cálculos do Planalto, os cargos já distribuídos lhe garantem 172 votos na Câmara, que é suficiente para impedir a abertura de um processo de impeachment. Para ter mais segurança, busca o apoio dos 34 deputados do MDB.
- Câmara e Senado decidiram criar uma comissão mista no Congresso para discutir uma nova data para o pleito, que deve ser adiado por conta da pandemia. A ideia preliminar é fazer o primeiro turno no dia 15 de novembro e o segundo no dia 6 de dezembro, sem prorrogação de mandatos.
Educação
ECONOMIA
Energia
Contas públicas
Atividade
- O Senado aprovou por 75 votos a 1 o adiamento do Enem. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, queria realizá-lo em novembro, o que prejudica inúmeros estudantes sem acesso a aulas online. A Câmara deve confirmar a decisão.
ECONOMIA
Energia
- O governo publicou decreto que define as regras de um empréstimo bilionário — que pode chegar a R$ 12 bilhões — para socorrer as distribuidoras de energia, por conta dos efeitos da pandemia. Esse socorro ao setor elétrico terá impacto na conta de luz a partir de 2021.
- Energia do Brasil é a 37ª mais cara do mundo, aponta estudo revelado pelo Estadão.
- Desde o início da pandemia, o setor elétrico perdeu R$ 4,6 bilhões. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o nível de inadimplência chegou a 15,08% em 18 de março — cinco vezes maior do que a média registrada no primeiro semestre de 2019.
Contas públicas
- Mansueto Almeida afirma que manutenção de auxílio emergencial é “fiscalmente impossível”.
- Crédito para pequenas empresas é sancionado.
Atividade
- Nova leva de revisões vê recuo de até 7,4% do PIB brasileiro em 2020.
- Demissões já afetam 13% das famílias e 40% das empresas, informa a Folha.
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.
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