
A Câmara, em um momento de sensatez, consertou a irresponsabilidade fiscal aprontada na véspera pelo Senado, que havia votado pela derrubada de um veto à possibilidade de reajuste salarial para servidores até o fim de 2021.
Os deputados mantiveram o veto, com 316 votos, uma margem tranquila. O resultado mostra uma efetiva melhora na articulação política do governo depois do ingresso do centrão na base e da escolha de Ricardo Barros como líder na Câmara. Mostra também uma relação mais afinada com o presidente da Casa, Rodrigo Maia, que foi fundamental na votação.
Por fim, sinaliza ao mercado que o governo tem algum compromisso com o equilíbrio fiscal, depois de sinais contraditórios de enfraquecimento de Paulo Guedes.
Já no outro lado da Praça dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal, por 9 votos a 1, proibiu o governo de produzir dossiês contra adversários políticos.
Os dois resultados de ontem mostram que o governo de Jair Bolsonaro só tem a ganhar se respeitar os princípios da democracia e do bom relacionamento entre os poderes. Medidas autoritárias e de confronto podem até animar uma base mais radical, mas só atrapalham a governabilidade neste momento de crise.
POLÍTICA
Pandemia
- O país registrou 1.234 mortes pela Covid-19 em 24 horas, chegando a 112.423 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes nos últimos 7 dias foi de 980 óbitos, uma variação de - 4% em relação aos registrados em 14 dias.
- Segundo o Estadão, a Prefeitura de SP já considera improvável a volta às aulas presenciais neste ano.
Investigações
- Supremo proíbe governo de produzir dossiês contra opositores. Por 9 votos a 1, os ministros decidiram que devem ser suspensos todos atos do Ministério da Justiça para elaboração de dossiês contra servidores ou cidadãos identificados como "antifascistas" ou opositores do governo.
- PGR apura pagamento de R$ 9 milhões da JBS a Frederick Wassef, advogado que defendeu Flávio Bolsonaro.
- Augusto Aras (PGR) dá parecer favorável a impeachment de Wilson Witzel.
- Mentor de Trump e próximo da família Bolsonaro, estrategista Steve Bannon é preso por desvio de doações para construção de muro na fronteira dos EUA com o México.
Eleições
- TSE tem 3 votos favoráveis a divisão proporcional de recursos entre candidatos brancos e negros.
- Lula admite que PT pode não ter candidato a presidente em 2022.
- Monitor da Violência, do G1, mostra que, mesmo com quarentena, Brasil tem alta de 6% no número de assassinatos no 1º semestre. Após dois anos seguidos de recordes na queda de mortes, país volta a registrar aumento de violência nos primeiros seis meses de 2020 - https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2020/08/21/mesmo-com-quarentena-brasil-tem-alta-de-6percent-no-numero-de-assassinatos-no-1o-semestre.ghtml
ECONOMIA
Contas públicas
- A Câmara reverteu a decisão do Senado e manteve o veto presidencial aos reajustes de salários de servidores públicos durante o período da pandemia. Não haverá aumentos até o final do ano que vem. Foram 316 votos pela manutenção do veto, 165 contra, e duas abstenções.
- O discurso usado para convencer os deputados foi o de que os recursos que os cofres públicos vão poupar com reajustes de servidores podem ser usados, por exemplo, para prorrogar o auxílio emergencial para os mais necessitados.
- Vera Magalhães, no BR Político, avalia que "a votação mostra a efetiva melhora da articulação política do governo na Câmara depois do ingresso do Centrão na base, mas também pesou o fato de que Rodrigo Maia, que ainda mantém ascendência sobre um grande grupo de deputados, ter ajudado a articular a manutenção do veto" - https://brpolitico.com.br/brp-analisa/vitoria-do-governo-na-camara-e-nova-derrota-no-supremo/
- Para O Globo, o novo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, passou pelo seu primeiro teste.
- Antes da votação, Bolsonaro chegou a dizer que o País se tornaria "impossível de ser governado" caso ele caísse. Pelos cálculos do Ministério da Economia, a derrubada do veto implicaria a perda de algo entre R$ 121 bilhões e R$ 132 bilhões de economia para os cofres públicos.
Atividade
- Pesquisa do IBGE mostra que mais da metade da população, ou 107 milhões de pessoas, vive em lares beneficiados por algum tipo de auxílio. Em julho, 44,1% receberam algum benefício, ante 43% no mês anterior - https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,mais-da-metade-da-populacao-brasileira-vive-em-lares-beneficiados-porauxilio-relacionado-a-pandemia,70003406883
- Segundo o Datafolha, quase metade dos brasileiros viu sua renda diminuir durante a pandemia - https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/08/quase-a-metade-dos-brasileiros-viu-renda-familiar-diminuir-na-pandemia-diz-datafolha.shtml
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.
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