Pressionado por uma crise tripla e ameaçado pela possibilidade de abertura de um processo de impeachment, o presidente Jair Bolsonaro resolveu mudar o tom e se reuniu com governadores e parlamentares pedindo trégua.
Bolsonaro pediu apoio para manter no Congresso os vetos a reajuste de servidores públicos e, adotando um tom conciliador, prometeu soltar ajuda financeira a estados e municípios.
A mudança de postura presidencial ocorreu na véspera da provável divulgação da íntegra do vídeo da reunião ministerial que levou à saída de Sérgio Moro do governo, pressionado pela explícita pressão para mexer no comando da Polícia Federal. Quem viu o vídeo afirma que as falas do presidente podem aumentar a crise e a pressão por impeachment —ontem, partidos e movimentos da sociedade civil apresentaram ao Congresso o pedido de impedimento do presidente.
Sabendo do risco que corre, Bolsonaro intensifica as negociações com o centrão, em busca da construção de uma base que o livre de um eventual processo no Congresso, e tenta azeitar a relação com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.
Mas, no mundo real, as crises crescem. Na economia, a atividade está em queda livre. E, na saúde, o país já soma mais de 20 mil mortes, sendo 1.188 em apenas 24 horas. A situação, que já seria delicada para grandes estadistas, é muito mais grave em um país sem liderança (nem ministro da Saúde) como o Brasil.
POLÍTICA
Epidemia
- O Brasil já tem mais de 20 mil mortes e 300 mil casos, no total, pelo novo coronavírus. Nas últimas 24h, foram registradas 1.188 mortes e 18.508 novos casos, segundo dados do Ministério da Saúde. Mais um recorde da doença no país.
- O número de mortes dobrou em apenas 12 dias. Em menos de dois meses de epidemia, mais de 60% das cidades do país já registram casos, segundo o G1.
- Doença já matou 256 profissionais da saúde no Brasil.
- Estadão mostra que mais de 7,8 milhões de brasileiros estão a pelo menos quatro horas de distância de uma UTI. A situação é pior nos estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso.
Crise política
- Oposição e entidades da sociedade civil entram com pedido de impeachment de Jair Bolsonaro. Documento coletivo reúne sete partidos e mais de 400 instituições.
- Em reunião virtual com governadores e os comandantes do Congresso, Bolsonaro acenou com trégua e pediu ajuda para manter no Congresso os vetos a reajustes dos funcionários públicos: “A cota de sacrifício dos servidores, pela proposta que está aqui, é não ter reajuste até 31 de dezembro do ano que vem. É assim que vamos construir nossa política, nos entendendo cada vez mais”.
- O presidente prometeu também liberar ajuda financeira a estados e municípios.
- Um dos principais opositores do presidente, João Doria elogiou sua postura: “Quero exaltar a forma com que essa reunião está sendo conduzida”.
- Celso de Mello decide até as 17h de hoje se levanta o sigilo na íntegra ou parcialmente do vídeo que registra a reunião ministerial na qual Bolsonaro ameaçou uma intervenção na Polícia Federal. Segundo testemunho de quem assistiu, o presidente queria proteger filhos e um amigo.
- STF é a favor de limitar alcance de medida provisória que dá salvo-conduto a agente público durante a pandemia.
- Governo Bolsonaro negocia com o centrão cargos que somam R$ 86 bilhões em orçamentos, mostra O Globo.
Educação
- Folha escreve que aumenta a pressão pela saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub, tanto dentro como fora do governo.
- Governo estuda aplicar Enem de 2020 em apenas um dia.
ECONOMIA
Atividade
- Arrecadação tem queda real de 29% em abril, pior resultado em 14 anos.
- Os pedidos de seguro-desemprego aumentaram 76% nos primeiros 15 dias de maio em relação a 2019 —foram mais de 500 mil.
Esta Análise do Noticiário de hoje foi escrita por Tiago Pariz e Otávio Cabral.
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